Estrutura instalada em Paulínia, no interior de São Paulo, tem capacidade para fornecer até 20 mil metros cúbicos de biometano por dia e atender cerca de 200 caminhões da operação logística da companhia.
A Ultragaz inaugurou sua primeira estação própria de abastecimento de biometano no Brasil, instalada na base da companhia em Paulínia, no interior de São Paulo. Anunciada oficialmente em 18 de agosto e em destaque no noticiário desta quarta-feira, 19 de agosto de 2026, a estrutura representa uma nova etapa da estratégia da empresa para reduzir as emissões associadas ao transporte pesado. A unidade poderá fornecer até 20 mil metros cúbicos do combustível renovável diariamente, capacidade suficiente para atender aproximadamente 200 caminhões envolvidos na distribuição de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP). (Eixos)
A iniciativa chama atenção porque leva o biometano diretamente para uma operação logística de grande escala. Os veículos abastecidos na unidade de Paulínia atendem aproximadamente 6 mil clientes empresariais por mês no interior paulista. Entre janeiro e abril de 2026, essa operação transportou mais de 9,3 mil toneladas de GLP, indicando a dimensão da atividade que começará a incorporar o combustível renovável. A expectativa divulgada pela companhia é que a mudança permita reduzir aproximadamente 960 toneladas de emissões diretas de dióxido de carbono equivalente por ano. (Megawhat)
Biometano entra na logística da companhia
O biometano é produzido a partir da purificação do biogás obtido pela decomposição de matéria orgânica, que pode ter origem em resíduos agropecuários, industriais, urbanos e de outras atividades. Depois do processo de tratamento, o combustível apresenta características que permitem sua utilização em diferentes aplicações tradicionalmente atendidas pelo gás natural, inclusive no transporte. Por ser produzido a partir de fontes renováveis, tornou-se uma das alternativas consideradas para diminuir a intensidade de carbono de atividades difíceis de eletrificar rapidamente, como determinadas operações envolvendo caminhões pesados.
No projeto de Paulínia, a estratégia é utilizar o combustível justamente nos veículos responsáveis pelo transporte de GLP. Isso cria uma situação interessante do ponto de vista da transição energética: uma companhia tradicionalmente ligada à distribuição de gás passa a empregar uma fonte renovável para reduzir as emissões da própria cadeia logística. A estação não significa o abandono do GLP pela empresa, mas uma mudança no combustível utilizado por parte dos veículos que movimentam o produto entre instalações e clientes.
A decisão também permite que a companhia teste a utilização do biometano em uma operação real de grande volume antes de ampliar a estrutura para outras regiões. A estação paulista funciona, portanto, não apenas como um ponto de abastecimento, mas como uma primeira etapa de uma estratégia nacional. A Ultragaz informou que novas bases de biometano estão previstas em outras unidades do país, embora os estados que receberão as próximas estruturas ainda não tenham sido detalhados. (XP Investimentos)
Estação poderá atender cerca de 200 caminhões
A capacidade instalada é um dos principais números do projeto. A estação pode fornecer até 20 mil metros cúbicos de biometano diariamente e atender aproximadamente 200 caminhões por dia. A infraestrutura foi projetada especificamente para a operação da frota pesada da companhia, permitindo que veículos utilizados na distribuição de GLP passem a contar com uma alternativa renovável aos combustíveis fósseis tradicionalmente empregados nesse tipo de transporte. (Eixos)
O impacto potencial da iniciativa também está relacionado ao volume movimentado pela base de Paulínia. Os caminhões vinculados à operação atendem cerca de seis mil clientes empresariais mensalmente no interior de São Paulo. Apenas nos quatro primeiros meses de 2026, mais de 9,3 mil toneladas de GLP foram transportadas por essa estrutura logística. Ao direcionar o biometano para uma operação desse porte, a empresa busca reduzir emissões sem interromper ou diminuir sua capacidade de distribuição.
A companhia estima que o uso do combustível renovável possibilitará evitar aproximadamente 960 toneladas de emissões diretas de CO₂ equivalente por ano. O número considera a substituição de combustíveis utilizados pela frota atendida pela estação e representa um dos principais indicadores ambientais apresentados com o projeto. (Folha de S.Paulo)
Projeto deverá chegar a outras regiões do Brasil
A estação de Paulínia não deve permanecer como uma iniciativa isolada. Segundo a Ultragaz, a unidade marca o início de um plano para ampliar as estruturas próprias de abastecimento de biometano para outras bases da companhia no Brasil. A estratégia pretende levar gradualmente o combustível renovável para uma parcela maior das operações logísticas relacionadas à distribuição de GLP. (Megawhat)
A expansão pode ganhar relevância considerando a presença nacional da empresa. Dados divulgados junto às informações sobre o projeto indicam que a Ultragaz atende aproximadamente 11 milhões de famílias e 53 mil empresas em 22 estados e no Distrito Federal. Uma rede logística dessa dimensão exige grande movimentação de veículos, o que transforma o transporte em uma área importante para iniciativas voltadas à redução das emissões. (Folha de S.Paulo)
O cronograma das próximas unidades e suas localizações ainda deverão ser detalhados. A experiência em Paulínia poderá ajudar a companhia a avaliar custos, disponibilidade do combustível, infraestrutura necessária e desempenho dos veículos antes de levar o modelo para uma escala nacional maior.
Mercado brasileiro de biometano cresce
A iniciativa ocorre em um momento de expansão do mercado brasileiro de biometano. Dados citados pela Folha de S.Paulo mostram que a produção nacional do combustível aumentou 75% entre 2024 e 2025. Em junho de 2026, o Brasil possuía 21 plantas autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), enquanto outras 48 estavam em processo de autorização. (Folha de S.Paulo)
O potencial brasileiro está relacionado principalmente à grande disponibilidade de matéria orgânica proveniente da agropecuária, da indústria de alimentos, do setor sucroenergético, de aterros sanitários e de outras atividades. Resíduos que anteriormente poderiam representar apenas um passivo ambiental podem ser utilizados para produzir biogás e, posteriormente, biometano. Essa característica coloca o combustível dentro de duas agendas importantes: transição energética e economia circular.
No transporte pesado, o interesse é particularmente relevante porque a substituição completa de caminhões movidos por combustíveis líquidos por modelos elétricos ainda enfrenta obstáculos relacionados a autonomia, peso das baterias, infraestrutura de recarga e custo. O biometano surge como uma das alternativas possíveis para determinadas rotas e operações, especialmente quando existe oferta regular do combustível próxima aos centros logísticos.
Ultragaz mira crescimento no combustível renovável
Além de utilizar biometano em sua própria frota, a Ultragaz vem ampliando sua presença comercial nesse mercado. A empresa já atua como comercializadora do combustível no Brasil e espera praticamente dobrar sua quantidade de clientes de biometano até o fim de 2026. O transporte rodoviário pesado aparece como uma das áreas consideradas estratégicas para o crescimento dessa atividade. (Eixos)
A movimentação mostra como empresas historicamente associadas a combustíveis convencionais estão diversificando seus negócios diante das mudanças na matriz energética. Em vez de depender exclusivamente de uma única fonte, companhias do setor começam a combinar GLP, biometano e outras soluções conforme as características dos consumidores e das operações.
Para a Ultragaz, essa diversificação também representa uma oportunidade comercial. Empresas pressionadas a reduzir suas emissões podem buscar alternativas renováveis para processos industriais, geração de energia e transporte, criando um mercado adicional para fornecedores capazes de garantir volume, infraestrutura e regularidade no abastecimento.
Transporte pesado vira frente importante da transição energética
A redução das emissões dos caminhões é um dos grandes desafios da transição para uma economia de menor carbono. Enquanto automóveis elétricos ganharam espaço rapidamente em diversos mercados, veículos pesados apresentam necessidades diferentes de autonomia, potência e disponibilidade operacional. Um caminhão utilizado continuamente em rotas de distribuição, por exemplo, precisa minimizar períodos de parada e transportar grandes cargas sem comprometer significativamente sua capacidade.
Nesse contexto, diferentes tecnologias deverão coexistir. Caminhões elétricos podem atender determinados trajetos urbanos e regionais, enquanto biometano, biocombustíveis e outras soluções podem assumir funções em operações que exigem características diferentes. A infraestrutura de abastecimento será determinante para definir quais alternativas conseguirão ganhar escala.
A nova estação de Paulínia representa uma aplicação concreta dessa estratégia no Brasil. Ao disponibilizar até 20 mil metros cúbicos de biometano diariamente para aproximadamente 200 caminhões, a Ultragaz cria uma operação capaz de produzir dados sobre consumo, eficiência e redução de emissões em condições reais de transporte.
Paulínia funciona como ponto de partida
A inauguração da primeira estação própria de biometano coloca Paulínia como laboratório para uma estratégia que a companhia pretende ampliar nacionalmente. O projeto reúne uma infraestrutura dedicada, uma frota de grande porte e uma operação logística responsável por atender milhares de empresas no interior paulista, permitindo avaliar o combustível renovável em escala comercial.
Caso a expansão anunciada avance para outras bases, a utilização do biometano poderá alcançar uma parcela maior da frota responsável pela distribuição de GLP da companhia. A dimensão desse avanço dependerá da disponibilidade regional do combustível, da infraestrutura necessária e das condições econômicas de cada operação.
Por enquanto, a estação paulista representa o primeiro passo dessa estratégia. Com capacidade de até 20 mil metros cúbicos por dia, atendimento estimado de 200 caminhões e redução projetada de aproximadamente 960 toneladas de CO₂ equivalente por ano, a iniciativa mostra como o biometano começa a deixar projetos pontuais para assumir um papel mais concreto na descarbonização da logística pesada brasileira. (Exame)