Do ERP da empresa à carteira do fundo: as APIs abertas da ID CTVM eliminam a planilha da originação de crédito

Elliot Caldervale
Elliot Caldervale 7 Min de leitura
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ID CTVM

ID CTVM explica como a integração direta entre sistemas de gestão empresarial, plataformas de originação e a esteira de direitos creditórios muda a entrada de recebíveis nos fundos

Boa parte dos recebíveis que abastecem os fundos estruturados nasce no sistema de gestão empresarial de uma empresa, o chamado ERP, onde notas fiscais, duplicatas e contratos são emitidos, e a ID CTVM estruturou parte de sua arquitetura tecnológica justamente para encurtar o caminho entre esse ponto de origem e a carteira do fundo. Na ID CTVM, o Portal do Desenvolvedor reúne uma biblioteca de APIs abertas para integração nativa com ERPs, fintechs e plataformas de originação de crédito, conectadas à esteira de direitos creditórios do Portal IDSF. Para Rodrigo Balassiano, diretor da instituição, o objetivo é que a informação sobre um recebível percorra o trajeto entre a empresa e o fundo sem ser redigitada, convertida ou reenviada em arquivos avulsos ao longo do caminho.

O gargalo dos arquivos e das planilhas

Durante muito tempo, a troca de informações entre empresas cedentes e estruturas de crédito dependeu de arquivos gerados em lote. O cedente exportava do seu sistema uma relação de títulos, muitas vezes em planilha ou em layouts bancários padronizados, enviava o arquivo por e-mail ou por um portal, e alguém do outro lado precisava importá-lo, conferir inconsistências e devolver o que não estava de acordo.

Cada uma dessas etapas abre espaço para erro. Um campo trocado, uma data em formato diferente ou um título enviado em duplicidade podem passar despercebidos até a conferência e atrasar a cessão. Em operações com milhares de recebíveis de baixo valor, o custo dessa fricção pesa sobre a própria viabilidade econômica da antecipação.

Há ainda um problema de tempo. Enquanto o arquivo circula entre as partes, os títulos continuam parados, e a empresa que precisava do recurso para pagar fornecedores ou folha de pagamento espera. Em ciclos curtos de capital de giro, um ou dois dias de atraso na conferência podem anular a vantagem de ter recorrido a um fundo em vez de outra linha de crédito.

Integração nativa em vez de transferência de arquivos

Uma API, interface que permite a dois sistemas trocarem dados diretamente, muda essa lógica. Em vez de gerar e transmitir um arquivo, o sistema de origem envia as informações de cada recebível à esteira, que devolve a resposta de forma estruturada e imediata. O ERP do cedente, ou a plataforma da fintech que origina o crédito, passa a conversar com a infraestrutura do fundo na mesma linguagem, sem intermediação manual.

Rodrigo Balassiano observa que o caráter aberto dessas interfaces tem um sentido prático: a documentação fica disponível para que equipes técnicas de terceiros façam a integração por conta própria, sem depender de um projeto sob medida para cada novo parceiro. Isso reduz o tempo necessário para conectar uma nova empresa cedente ou uma nova plataforma de originação à estrutura de um fundo.

Validação na entrada, e não depois

A integração ganha valor quando se conecta à validação. No Portal IDSF, os recebíveis recebidos passam por validação automatizada antes de seguir na esteira, o que permite identificar já na entrada aquilo que antes só apareceria na conferência posterior. A resposta volta ao sistema de origem pelo mesmo canal, e o cedente sabe rapidamente o que foi aceito e o que precisa ser corrigido.

Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, explica por que o ponto de entrada concentra tanta atenção:

“A maior parte dos problemas operacionais de um fundo de recebíveis não nasce na carteira, nasce na porta de entrada. Se a informação chega estruturada, direto do sistema que emitiu o título, e é validada no momento em que chega, o fundo deixa de carregar dúvidas que depois custam tempo para resolver. A API não é só uma conveniência para o cedente, é uma forma de proteger a qualidade da carteira desde o primeiro dado”, afirma o executivo.

Um ecossistema que compartilha a mesma base

As APIs não funcionam isoladamente. Elas fazem parte de um ecossistema proprietário de portais integrados, que inclui o Portal do Gestor, com visibilidade de liquidação em tempo real, o Portal Nota Comercial, voltado à emissão, escrituração e gestão de títulos de dívida corporativa, e o Portal do Consultor, dedicado ao acompanhamento de informações e relatórios operacionais. Como todos compartilham a mesma infraestrutura, um recebível que entra pela API do cedente pode ser acompanhado pela gestora e pelo consultor sem que a informação precise ser replicada em outros sistemas.

Rodrigo Balassiano pondera que essa base comum é o que permite à instituição sustentar o processamento de um volume elevado de transações. A ID CTVM administra hoje mais de 550 fundos, e a integração direta com os sistemas de origem reduz o volume de intervenção manual que, de outra forma, cresceria na mesma proporção da carteira.

Fintechs e originadoras como principais usuários

A integração por APIs tende a ganhar relevância à medida que fintechs, plataformas de crédito e empresas de médio porte recorrem aos fundos estruturados como fonte de financiamento. Rodrigo Balassiano avalia que, para esses participantes, a facilidade de conectar seus sistemas à infraestrutura do fundo passou a pesar na escolha do parceiro de retaguarda tanto quanto as condições financeiras da operação, porque define a rapidez com que o recebível gerado hoje pode se transformar em recurso disponível para o negócio.

Sobre a ID CTVM

A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$ 50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.

 

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