Incidente ocorreu no terceiro dia de operação da Trivia Trens na Grande São Paulo e obrigou passageiros a caminhar pelos trilhos até estações próximas.
Uma explosão seguida de incêndio em um trem da Linha 12-Safira interrompeu a circulação de três linhas administradas pela concessionária Trivia Trens na manhã desta quinta-feira, dia 23 de julho, na zona leste de São Paulo. O incêndio começou por volta das 5h38, na região da estação Bresser-Mooca, e as imagens feitas por passageiros mostraram o momento da explosão, seguido de correria dentro do trem e de um dos vagões completamente carbonizado por dentro. O episódio interrompeu o fornecimento de energia em um trecho estratégico da malha ferroviária e afetou diretamente as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, além do Serviço Expresso Aeroporto. A seguir, veja como a situação foi resolvida, por que o botão de emergência do trem não funcionou durante a evacuação e qual o contexto por trás da operação da concessionária responsável pelas linhas. NCNews
Como o incidente se desenrolou na manhã desta quinta-feira
Segundo relatos de passageiros e imagens divulgadas por veículos de comunicação, uma explosão foi ouvida dentro da composição, seguida do surgimento de chamas na parte externa do trem, por volta das 6h<cite index=”96-1″>. A situação levou ao desligamento da energia entre as estações Brás, na região central, e Engenheiro Goulart, na zona leste, uma medida de segurança que, no entanto, também travou outras composições que estavam em circulação nas linhas vizinhas no momento do incidente. Brasil de Fato
Com o desligamento do fornecimento elétrico, os passageiros que estavam a bordo dos trens parados precisaram descer e caminhar pelos trilhos até chegar às estações mais próximas. Na região da Avenida Celso Garcia, embaixo do Viaduto Alberto Badra, agentes da Polícia Militar foram acionados para ajudar os usuários a deixar a área ferroviária, inclusive auxiliando pessoas a pular um muro com o apoio de um caminhão estacionado na rua. Idosos e pessoas com mobilidade reduzida também receberam apoio dos policiais para atravessar os trechos junto aos trens e subir um barranco até uma via pública. Brasil 247
Apesar da gravidade das imagens, que mostram gritos e correria dentro do vagão no momento da explosão, nenhum passageiro ficou ferido durante o incidente, embora o vagão atingido tenha ficado carbonizado tanto por dentro quanto por fora. Paulo Ferreira, diretor de operação da Trivia Trens, afirmou que a origem mais provável do incêndio foi uma falha elétrica a bordo da composição, o que teria provocado o desligamento das subestações de energia responsáveis por alimentar o trecho afetado da linha. SP Rio +NCNews
Diante da paralisação, o Metrô de São Paulo reforçou a operação da Linha 3-Vermelha para tentar absorver parte da demanda de passageiros que ficaram sem opção de deslocamento pelas linhas da Trivia, o que gerou superlotação nos vagões ao longo da manhã. A concessionária também acionou o Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência para atender o trecho entre as estações Bresser-Mooca e USP Leste, reforçando a oferta de ônibus para os usuários afetados pela interrupção do serviço. Brasil de Fato
Por que o botão de emergência não funcionou durante a evacuação
Um dos pontos que mais chamou atenção no episódio foi o fato de o botão de emergência de um dos vagões não ter funcionado no momento em que os passageiros mais precisavam dele. Segundo a Trivia Trens, o mecanismo depende diretamente da alimentação elétrica da composição, e como a energia da região havia sido desligada como medida de segurança logo após a explosão, o dispositivo ficou sem condições de operar normalmente. Brasil 247
De acordo com Paulo Ferreira, em situações nas quais o trem fica sem energia, a orientação é que os próprios passageiros utilizem uma alavanca manual instalada nos vagões para abrir as portas, permitindo a evacuação mesmo quando os sistemas elétricos de emergência estão fora de operação. O caso reacende o debate sobre a necessidade de sistemas de segurança que continuem funcionando mesmo em cenários de falha elétrica generalizada, especialmente em composições que transportam grande volume de passageiros durante o horário de pico. Brasil 247
A concessionária também informou que pretende investir na modernização da infraestrutura das linhas nos próximos dois anos, com a substituição de 35 quilômetros de trilhos, a troca de 10 mil dormentes e intervenções em cerca de 300 pontos que hoje operam com restrição. Ainda não há, no entanto, um cronograma detalhado divulgado publicamente sobre quando essas obras começam a ser executadas ao longo da malha ferroviária afetada pelo incidente desta quinta-feira.
O contexto da operação da Trivia Trens na Grande São Paulo
O incidente ocorreu justamente no terceiro dia da operação definitiva da Trivia Trens nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, que antes eram administradas pela estatal paulista Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM)<cite index=”97-1″>. A concessionária assumiu oficialmente a operação à meia-noite da última terça-feira, dia 21, encerrando um período de 60 dias de operação assistida, no qual a empresa já conduzia os serviços, mas ainda sob supervisão da estatal. NCNews
Com a mudança para a operação definitiva, a Trivia Trens passou a responder integralmente pela circulação de 92 trens e pelo Serviço Expresso Aeroporto, sem o apoio direto da CPTM nas atividades do dia a dia. A empresa integra o grupo Comporte Participações, do empresário Nenê Constantino, ligado à família fundadora da companhia aérea Gol, que também controla a Tic Trens, responsável pela Linha 7-Rubi. Brasil 247
O período de transição para a operação privada já havia sido marcado por um aumento expressivo nas ocorrências registradas na Linha 11-Coral, considerada a mais problemática entre as três repassadas à concessionária. O episódio desta quinta-feira reforça as críticas de parte dos usuários e de entidades ligadas ao transporte público sobre a velocidade da transição operacional, especialmente diante de um incidente que, apesar de não ter deixado feridos, expôs uma falha relevante no sistema de emergência dos trens logo nos primeiros dias de operação assumida pela empresa privada.
Passageiros que utilizam diariamente as linhas afetadas seguem atentos aos próximos passos da concessionária, especialmente em relação ao cronograma de manutenção prometido e a eventuais mudanças nos protocolos de segurança para situações de falha elétrica, tema que ganhou força após a repercussão das imagens do incidente desta quinta-feira nas redes sociais e nos principais veículos de comunicação do país.
Fontes: