Fluprevli é indicada a partir dos 6 meses de idade e chega em meio a aumento nos casos graves de influenza registrados no Brasil em 2026.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária publicou, no dia 13 de julho, o registro da Fluprevli, uma nova vacina trivalente contra a influenza, do tipo fragmentada e inativada. O imunizante é destinado à imunização ativa de pessoas a partir de 6 meses de idade contra cepas dos vírus influenza A e B presentes na formulação. A aprovação chega em um momento de atenção redobrada à gripe no país e gera uma dúvida comum entre os brasileiros: essa vacina já está disponível pelo SUS, e o que muda de fato na proteção contra a doença?
O que mostram os estudos da nova vacina
De acordo com a Anvisa, os estudos clínicos que embasaram o registro da Fluprevli apontaram eficácia de até 73% na prevenção da influenza em adultos e de até 65% em crianças. As pesquisas também mostraram taxas elevadas de soroproteção, quando o organismo apresenta níveis adequados de anticorpos no sangue, e de soroconversão, processo em que o sistema imunológico passa a produzir anticorpos detectáveis após a vacinação. A decisão foi publicada por meio da Resolução nº 2.743/2026 no Diário Oficial da União.
A Fluprevli é classificada como trivalente porque protege contra três cepas do vírus influenza incluídas em sua composição, sendo duas do tipo A e uma do tipo B. Segundo a Anvisa, o desenvolvimento e o registro da vacina foram motivados por recomendações internacionais da Organização Mundial da Saúde e de autoridades regulatórias para excluir a linhagem B/Yamagata das formulações contra influenza, já que essa linhagem não é detectada em circulação global desde março de 2020.
Vale destacar que, para a vacina estar disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde, ela ainda precisa passar por avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS e receber aprovação do Ministério da Saúde, processo que até o momento não tem data definida para acontecer.
Por que a aprovação chega em um momento sensível
Os dados epidemiológicos ajudam a explicar a relevância do novo registro. De janeiro a maio deste ano, o Brasil contabilizou 505 mortes por síndrome respiratória aguda grave associadas diretamente aos vírus influenza A e B, número menor que as 776 mortes registradas no mesmo período de 2025. Apesar da redução, especialistas alertam que o total de óbitos ligados ao vírus pode ser ainda maior, já que outras 1.344 mortes por síndrome respiratória aguda grave neste ano não tiveram o agente causador identificado além da influenza, uma síndrome que também pode ser provocada por covid-19, rinovírus e vírus sincicial respiratório.
Os números também mostram aumento no total de casos em relação ao ano passado. Em 2026, o Brasil já havia registrado 7.749 casos de síndrome respiratória aguda grave por influenza até o momento da divulgação, distribuídos entre diferentes subtipos do vírus, incluindo H1N1, H3N2 e casos de influenza A sem subtipo identificado.
A influenza é considerada uma infecção viral respiratória de grande relevância para a saúde pública justamente por provocar surtos sazonais, internações e mortes, principalmente entre crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com comorbidades, grupos que seguem prioritários nas campanhas de vacinação promovidas pelo Ministério da Saúde.
O que muda na prevenção contra a gripe
A chegada de um novo imunizante amplia as opções disponíveis no mercado brasileiro para prevenção da influenza, especialmente para famílias com crianças pequenas, já que a Fluprevli é indicada a partir dos 6 meses de idade. Enquanto o processo de avaliação para incorporação ao SUS não é concluído, a vacina deve ficar disponível inicialmente na rede privada, seguindo o fluxo comum de novos imunizantes aprovados pela Anvisa.
Para a população em geral, a recomendação de especialistas continua sendo a mesma: manter a vacinação contra influenza em dia, especialmente nos grupos de maior risco, e procurar orientação médica diante de sintomas persistentes de síndrome gripal, já que o diagnóstico correto ajuda a direcionar o tratamento adequado e evitar complicações mais graves da doença.
A aprovação da Fluprevli representa um avanço nas alternativas de prevenção contra a influenza no Brasil, mas a decisão sobre sua entrada no SUS ainda depende de etapas regulatórias que não têm prazo definido. Até lá, a orientação segue sendo a de buscar informações atualizadas com profissionais de saúde e unidades de vacinação sobre as opções já disponíveis, sem substituir o acompanhamento médico por informações encontradas de forma isolada.
Fontes: Anvisa, Agência Gov, O Povo