Boa parte das doenças que afetam pessoas com mais idade não chega de uma hora para outra. De acordo com o doutor pós-graduado em geriatria, Yuri Silva Portela, elas se anunciam discretamente, por meio de pequenas mudanças que costumam ser atribuídas ao tempo. Uma força que diminui, um passo mais lento, um peso que cai sem explicação. O olhar treinado de um geriatra consegue captar esses sinais precoces e agir antes que se transformem em problemas sérios. As próximas linhas mostram como funciona essa capacidade de antecipação, quais ferramentas tornam isso possível e por que esperar o sintoma surgir costuma sair caro.
Que tal entender como a prevenção pode reescrever o futuro da sua saúde? Continue a leitura!
Como é possível antecipar aquilo que ainda não doeu?
A resposta está na chamada avaliação geriátrica ampla, um método que vai muito além da consulta tradicional. Em vez de se limitar a pressão e exames de sangue, o especialista investiga marcha, equilíbrio, força de preensão, memória, humor, alimentação e até a rede de apoio social do paciente. Segundo Yuri Silva Portela, cada um desses elementos funciona como um termômetro silencioso do estado geral de saúde.
Um simples teste de levantar da cadeira e caminhar alguns metros, por exemplo, revela muito sobre o risco de quedas nos meses seguintes. Uma leve perda de massa muscular, percebida cedo, pode ser revertida com exercício e nutrição adequada antes de comprometer a autonomia. O profissional lê esses indícios como um detetive interpreta pistas, montando um quadro antes que ele se complete.
Quais riscos a prevenção consegue interromper?
A fragilidade é um dos alvos centrais desse trabalho. Trata-se de um estado de vulnerabilidade aumentada que, se ignorado, abre portas para internações, perda de independência e complicações em cascata. Identificada a tempo, a fragilidade pode ser combatida com medidas concretas e acessíveis, que vão da atividade física orientada ao ajuste da dieta e à revisão dos medicamentos em uso.

Outro campo de atuação, comentado por Yuri Silva Portela, é a prevenção de quedas, responsável por grande parte das fraturas graves na terceira idade. Ao avaliar visão, equilíbrio, calçados e segurança do ambiente doméstico, o geriatra reduz drasticamente esse risco. O mesmo raciocínio vale para a saúde mental, já que sinais iniciais de depressão ou declínio cognitivo, quando notados cedo, respondem muito melhor ao tratamento.
Por que esperar os sintomas aparecerem pode ser um erro?
Muitas doenças associadas ao envelhecimento evoluem de forma silenciosa durante anos antes de manifestarem sinais evidentes, expressa o pós-graduado em geriatria, Yuri Silva Portela. Hipertensão arterial, osteoporose, diabetes, comprometimento cognitivo e até alguns tipos de câncer podem avançar sem provocar desconfortos perceptíveis nas fases iniciais. Quando os sintomas finalmente surgem, muitas vezes a condição já exige tratamentos mais complexos e apresenta maior impacto sobre a qualidade de vida.
A medicina preventiva proposta pela geriatria busca justamente inverter essa lógica. Em vez de reagir ao problema depois que ele se instala, o objetivo é identificar fatores de risco, monitorar alterações precoces e implementar intervenções capazes de reduzir ou retardar o desenvolvimento de doenças. Essa estratégia aumenta as chances de manter a independência funcional e evita complicações que poderiam comprometer a rotina do paciente.
Além dos benefícios individuais, o doutor Yuri Silva Portela destaca que a prevenção também reduz a necessidade de internações, procedimentos invasivos e uso excessivo de medicamentos. O resultado é um envelhecimento mais seguro, ativo e equilibrado. Ao reconhecer que saúde é construída diariamente e não apenas recuperada diante da doença, a geriatria moderna transforma a antecipação em uma das ferramentas mais valiosas para quem deseja viver mais e melhor.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez