Uma identidade visual pode ser o primeiro contato entre uma marca e seu público, porém captar atenção não quer dizer garantir uma boa impressão. Dalmi Defanti, fundador da Gráfica Print e especialista em assuntos gráficos, trabalha em um setor em que decisões sobre cores, tipografia, imagens, composição e materiais devem atuar de forma integrada.
Saiba mais a seguir!
Quando o excesso visual começa a atrapalhar?
Existe uma diferença importante entre um design marcante e uma composição carregada. Cores em excesso, diferentes tipos de fonte, muitas imagens e informações distribuídas sem hierarquia podem fazer com que o público não saiba para onde olhar primeiro. Em vez de destacar a mensagem principal, todos os elementos passam a disputar atenção. Quando isso acontece, o impacto visual deixa de favorecer a comunicação e pode tornar a peça cansativa ou confusa.
Dalmi Defanti esclarece que esse problema costuma aparecer quando cada informação recebe o mesmo destaque. Uma promoção pode ter preço, condições, imagens, chamadas e contatos, mas, se tudo estiver visualmente enfatizado, o leitor terá dificuldade para identificar o que realmente importa. A quantidade de elementos não garante uma comunicação mais eficiente. A organização das informações é que permite estabelecer uma sequência de leitura e direcionar a atenção para os pontos mais relevantes.
O espaço vazio também tem função. Áreas sem textos ou imagens ajudam a separar informações e criam uma organização visual que facilita a leitura. Assim, reduzir determinados elementos pode tornar a mensagem mais forte, especialmente quando existe uma informação que precisa ser percebida rapidamente. O equilíbrio entre conteúdo e espaço disponível contribui para que cada componente tenha espaço suficiente para cumprir sua função.
O design pode transmitir uma mensagem diferente da intenção da marca?
A aparência de uma peça influencia a interpretação de quem a observa. Uma escolha tipográfica pode transmitir formalidade, descontração ou sofisticação. Cores podem criar diferentes associações, enquanto imagens e formas contribuem para estabelecer determinado clima. Quando esses recursos não combinam com a proposta da marca, surge uma incoerência. O público pode perceber essa diferença antes mesmo de conhecer os produtos ou serviços oferecidos pela empresa.

Uma empresa que deseja transmitir confiança, por exemplo, precisa pensar se suas escolhas visuais contribuem para essa percepção. Isso não significa que exista uma combinação universal de cores ou fontes capaz de produzir determinada reação. O contexto, o público e o segmento também interferem na interpretação. Fundado nisso, cada decisão visual precisa considerar a mensagem que a marca deseja construir e a forma como ela será recebida.
Dalmi Defanti destaca, a partir de sua experiência no setor gráfico, que o design precisa ser considerado também em relação ao material em que será aplicado. Uma composição que funciona em uma tela pode apresentar outra percepção quando passa para papel, embalagem, placa ou outro suporte. A execução, portanto, faz parte da experiência visual. Essa avaliação permite compreender se as características planejadas permanecem adequadas depois que o projeto deixa o ambiente digital.
O que acontece quando a estética fica mais importante que a função?
Uma peça gráfica pode ser visualmente interessante e, ainda assim, cumprir mal sua finalidade. Um cartão pode ter uma aparência sofisticada, mas dificultar a identificação do telefone. Um folder pode apresentar uma composição elaborada, porém tornar cansativa a localização das informações principais. Nesses casos, o problema não está necessariamente na qualidade estética, mas na falta de equilíbrio entre forma e função. Quando a aparência passa a competir com a utilidade, o material pode perder eficiência, mesmo mantendo um acabamento visualmente atraente.
A hierarquia visual ajuda justamente a resolver essa questão, informa Dalmi Defanti. Títulos, subtítulos, imagens, textos e chamadas precisam estabelecer relações que orientem o olhar. O leitor deve conseguir perceber o assunto principal e entender como acessar as informações seguintes sem precisar decifrar a composição. Essa organização também permite que conteúdos secundários tenham espaço adequado, sem retirar da mensagem central a importância que ela precisa ter.